A saúde oral faz parte da saúde geral. Um estudo longitudinal publicado no Journal of Dental Research analisou a relação entre a perda total dos dentes e a fragilidade em adultos mais velhos, procurando perceber se uma condição poderia preceder a outra.
A ausência de dentes naturais - designada por edentulismo - pode afetar a mastigação, a alimentação e a forma como uma pessoa se sente nas suas interações sociais. A fragilidade, por sua vez, caracteriza-se por uma maior vulnerabilidade a problemas de saúde e à perda de autonomia. Mas será que o edentulismo pode estar associado ao desenvolvimento de fragilidade?
O que analisou este estudo?
A equipa de investigação acompanhou 6.800 adultos com 50 ou mais anos, participantes no Estudo Longitudinal do Envelhecimento de Inglaterra. A saúde oral e a fragilidade foram avaliadas em três momentos, entre 2006/07 e 2014/15. Os investigadores analisaram também três possíveis vias de associação: a solidão, a inflamação -medida através da proteína C-reactiva (CRP) - e o consumo de fruta e hortícolas.
Os resultados apontaram para uma associação entre o edentulismo e uma maior probabilidade de fragilidade no primeiro período de acompanhamento. Essa associação não se manteve no período seguinte. Os investigadores não encontraram evidência estatisticamente significativa de que a fragilidade precedesse a perda total dos dentes.
A análise identificou ainda pequenas associações indiretas através da solidão e dos níveis de CRP. Não encontrou, porém, evidência de que o consumo de fruta e hortícolas explicasse a relação observada.
O que significam estes resultados?
Os resultados sugerem que a perda total dos dentes poderá fazer parte de um conjunto de fatores associados à fragilidade. A solidão e a inflamação podem ajudar a compreender essa relação, embora o estudo não permita concluir que o edentulismo as provoca ou que, por sua vez, conduz inevitavelmente à fragilidade.
Esta distinção é importante: trata-se de um estudo observacional, não de uma experiência que permita estabelecer uma relação de causa e efeito. Além disso, a saúde oral foi classificada de forma simples - presença ou ausência de dentes naturais -, sem medir, por exemplo, o número de dentes remanescentes ou a capacidade de mastigação. O acompanhamento também sofreu uma redução considerável no número de participantes.
A saúde oral merece atenção ao longo da vida
Mesmo com estas limitações, o estudo reforça a importância de considerar a saúde oral no cuidado global das pessoas mais velhas. A prevenção da perda dentária, a avaliação da função mastigatória e a identificação de dificuldades que possam afetar a alimentação ou a vida social são aspetos relevantes numa abordagem centrada na pessoa.
A reabilitação oral pode ser considerada de acordo com as necessidades de cada caso, mas este estudo não avaliou se próteses ou outros tratamentos previnem a fragilidade. O que os resultados sustentam é a importância de não separar a saúde oral da saúde geral - e de acompanhar ambas ao longo do envelhecimento.
A importância da vigilância oral regular
A vigilância regular da saúde oral permite identificar alterações e procurar orientação antes de surgirem problemas mais avançados. Não espere pela dor para cuidar da sua saúde: marque uma consulta na ImedGaia e mantenha a sua saúde oral acompanhada em todas as fases da vida.
Referência
Petrauskiene E, Zaninotto P, Heilmann A, Peasey A, Tsakos G. Edentulousness and Frailty: A Study of Directionality and Pathways. Journal of Dental Research. 2026. doi: 10.1177/00220345251414409.

