Nem todas as alterações na boca são motivo de alarme. Mas algumas lesões podem ter potencial para evoluir para cancro oral e devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Reconhecê-las e acompanhar a sua evolução ajuda a orientar os cuidados e, quando necessário, a agir atempadamente.
Estas alterações são conhecidas como lesões e condições orais potencialmente malignas. Entre as mais comuns estão a leucoplasia, a eritroplasia, o líquen plano oral, a fibrose submucosa oral e a leucoplasia verrucosa proliferativa. Ter uma destas condições não significa que a pessoa tenha cancro: o risco varia e muitas lesões não evoluem. Ainda assim, a avaliação clínica é importante. www.sciencedirect.com
A avaliação começa com um exame cuidadoso
O exame clínico da boca continua a ser uma parte central da avaliação. O profissional observa e palpa as mucosas, procurando alterações na cor, na superfície, na forma ou na consistência dos tecidos. Quando uma lesão persiste sem uma causa evidente, pode ser necessário realizar uma biópsia para estabelecer o diagnóstico. O acompanhamento deve ter em conta as características da lesão e o risco de cada pessoa. sciencedirect
A avaliação nem sempre é simples. Lesões diferentes podem ter um aspeto semelhante, e a análise ao microscópio também pode apresentar variabilidade. Por isso, a decisão clínica não deve depender de um único sinal ou resultado: importa reunir informação clínica, histológica e, quando disponível e validada, molecular.
O risco depende de vários factores
Uma revisão publicada na revista Critical Reviews in Oncology/Hematology foi coassinada pelo Prof. Rui Amaral Mendes, director da ImedGaia, em conjunto com outros 18 investigadores. O artigo analisa os desafios actuais na avaliação e gestão das lesões orais potencialmente malignas e propõe um enquadramento para apoiar decisões clínicas mais individualizadas. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
No âmbito do grupo de trabalho da COST Action INTERCEPTOR, os autores incluíram uma consulta a 55 especialistas para ponderar factores relevantes para a decisão clínica. Entre os factores que receberam maior peso estavam o historial de cancro da cabeça e do pescoço, o tipo de lesão, a presença de várias lesões, o aspecto clínico e hábitos como fumar, consumir álcool ou mascar tabaco. sciencedirect
Estes factores ajudam a estruturar a avaliação, mas não permitem prever com certeza o que acontecerá a uma lesão específica. O enquadramento proposto no artigo ainda não é uma calculadora clínica validada que determine, por si só, o risco ou o tratamento adequado. Os autores assinalam a necessidade de desenvolver e validar modelos que integrem dados clínicos, histológicos e moleculares. sciencedirect
Vigilância e acompanhamento fazem parte dos cuidados
A identificação de uma lesão potencialmente maligna não significa que seja sempre necessário intervir da mesma forma. A decisão sobre biópsia, tratamento e acompanhamento depende do diagnóstico e das características clínicas e histológicas da lesão. O objectivo é equilibrar a detecção atempada de alterações preocupantes com a prevenção de tratamentos desnecessários.
Se notar uma alteração na boca que persiste, não cicatriza ou muda de aspecto, procure uma avaliação. Não tente fazer o diagnóstico por si: um exame profissional permite esclarecer a situação e decidir se são necessários exames adicionais ou acompanhamento.
Cuidar da saúde oral também passa por não desvalorizar alterações persistentes. Na ImedGaia, a avaliação clínica permite analisar cada situação e orientar os passos seguintes.
Marque uma consulta na ImedGaia para avaliar uma alteração na boca ou esclarecer as suas dúvidas sobre saúde oral.
Referência: Cobanoglu HB, Khurram SA, Chaurasia A, et al. Clinical management of oral potentially malignant disorders: State of the art review and proposal for a new framework. Critical Reviews in Oncology/Hematology. 2026;227:105590. Ler o artigo na ScienceDirect. Entre os co-autores está o Prof. Rui Amaral Mendes.

